segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Era assim que as coisas aconteciam, era assim que via tudo aconteçer.

   O sol estava quase para nascer, chovia forte lá fora, os funcionários já varriam o salão, mas mesmo assim eu ainda permanecia ali, imóvel, com uma única lágrima escorrendo, ouvindo a ultima musica da junkebox... lembro bem como o som de Camila do Nenhum de Nós ecoava no meu peito, como se nada existisse a minha volta.
   Eu sentia uma imensa vontade de correr naquela chuva, sem rumo, sem satisfação...Mas eu não podia, pois a vontade de correr, era só pra que eu pudesse fugir de tudo, e o que eu mais queria fugir, me acompanhava, e batia mais rápido cada vez que eu tomava alguma atitude de fuga
   A imagem dela não sai da minha mente, e eu sentia um desespero por algo que nunca existiu, e que eu nem sei o que é, só sei que eu sinto... A vida passava a minha frente como um filme, e eu não conseguia enxergar nada, nada de útil feito até agora, nada que me desse realmente um prazer..
   Eu tentava não pensar, tentava me mexer, sair do chão, voltar embora, mas não conseguia me mover, estava hipnotizada no meu próprio mundo, e sabia que pra variar, não teria ninguém a minha volta, aquilo estava me desesperando, cada vez mais eu me afundava do meu propio abismo, sem conseguir reagir..
   Só lembro de ter abraçado forte, e agradecido o fachineiro, ele não deve ter entendido, mas o fato dele me pedir pra levantar, pois precisava fechar o bar, me salvou...impediu que eu continuasse me matando aos poucos.

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